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Pequeno empresário se diz perdido em ‘tiroteio’ de medidas

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Para o micro e pequeno empresário, a dificuldade é anterior à negociação com os grandes bancos, já que muitos se dizem tão perdidos em meio a informações e medidas desencontradas que ainda não conseguiram planejar uma reação. Esse é o relato de proprietários de pequenos negócios ouvidos pelo Valor.

“Vejo a situação com bastante ansiedade. Os empresários de pequeno porte estão em meio a um tiroteio de medidas anunciadas pelo governo, que chegam com tamanha falta de clareza que era melhor que não viessem”, diz Samir N. Khoury, proprietário da Brisa Modas, loja de roupas que a família toca há 67 anos na zona sul de São Paulo, empregando cerca de 20 funcionários e negociando com 512 fornecedores.

Vasco Pires de Freitas, um dos sócios da importadora de autopeças Hidramático Barão, diz ter interesse no pacote de R$ 40 bilhões anunciado na semana passa pelo BNDES, para empresas com faturamento anual de R$ 360 mil a R$ 1 milhão financiarem a folha por dois meses.

Criada em 1962, a Hidramático Barão tem cerca de 10 funcionários e um braço com mais quatro para tocar cursos a oficinas mecânicas, que são o cliente final da empresa. Juntas, as duas têm faturamento mensal em torno de R$ 500 mil. Embora oficinas permaneçam abertas e a importadora esteja operando via delivery, a demanda caiu brutalmente. “Não fechei as contas, mas observando, o caixa está em, no máximo, 20% do que seria”, diz Freitas.

Avessa a bancos, a empresa preferiu trabalhar por uma boa disponibilidade de caixa. Agora, porém, avalia o crédito do BNDES. “É uma iniciativa válida, mas ainda muito tímida diante das necessidades”, diz Freitas. Na sua avaliação, faltam mais medidas relacionadas a tributos, além do diferimento da parte da União no Simples Nacional por três meses. “O receio é, quando chegar no vencimento, ter de pagar duas parcelas de uma vez”, afirma.

A preocupação, diz Freitas, é manter os empregados e compromissos com fornecedores. A empresa opera no momento com metade do pessoal - o restante está em férias, “até para diminuir a circulação de pessoas”.

A preocupação com pessoal é especialmente grande entre empresas de menor porte, diz Khoury, que também é vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). “É diferente, você conhece os funcionário de perto, sabe das suas necessidades.”

Lauro Pimenta, um dos proprietários da Dejelone, loja de roupas com duas unidades na região do Brás, diz que a prioridade é tentar preservar o emprego dos cerca de 19 funcionários. “Pela lógica, eles têm menos recursos [do que os credores]”, afirma.

Em um mês normal, o faturamento da loja, fundada em 1994, é de cerca de R$ 500 mil. Desde 20 de março, quando fecharam as portas, o ganho é zero. “Respeitamos a quarentena por entender a necessidade comprovada”, diz Pimenta. “Mas claro que é difícil, não somos uma empresa que tem reserva suficiente para aguentar longo período, precisamos do giro de caixa para ir nos sustentando”, afirma. Segundo ele, a empresa tem disponibilidade até o pagamento de 5 de abril.

“Queremos usar o aporte do BNDES para a folha, por uma questão social, mas também porque agora não teríamos caixa para bancar demissão”, diz Pimenta. A empresa já tem uma linha de crédito junto a um banco público, com pagamentos em dia, de acordo com o empresário, mas busca contato para postergar as obrigações por 60 dias. “Os canais estão cheios. Você liga e dizem para acessar os meios virtuais, só que lá não consigo finalizar o processo”, afirma.

“O governo anuncia as medidas, mas falta ‘combinar com os russos’, os bancos. Dentro do meu universo, a maioria diz que vai recorrer às instituições financeiras, só que a percepção é que esse critérios e mudanças ainda não chegaram lá na ponta do gerente”, afirma Khoury. “A ação do BNDES é interessante, mas também estamos pisando”, acrescenta.

Humberto Gonçalves, sócio da TEC-STAM, pequena siderúrgica de fixadores (porcas, parafusos etc), não trabalha com bancos, mas tem sentido dificuldade para operar com a antecipação de recebíveis. “As operadoras não querem fechar negócio muito além de 25 de abril, não estão querendo antecipar títulos além desta data. Hoje, precisava fazer um negócio, tenho o título e não pude fechar.”

Trabalhando com terceirizados, Nathalie Mikellides, uma das proprietárias da ForceField, fabricante de protetores bucais para atletas, está mais tranquila com gastos com folha. “Ser pequeno empresário no Brasil é viver na montanha-russa, eu aprendi com isso e guardei dinheiro”, diz. Ela diz que ainda não precisa recorrer a bancos. “mas eu ainda não sei o que vou fazer.”

Fonte: Valor Econômico
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