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Medo do coronavírus gera explosão de vendas no varejo

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Consumidores brasileiros reagiram rapidamente ao anúncio da epidemia do novo coronavírus e correram às compras, inicialmente de produtos voltados à proteção contra a doença e, mais recentemente, de itens voltados ao segmento de alimentação e manutenção da casa diante da necessidade de isolamento para evitar a contaminação.

Pesquisa inédita feita pela Nielsen Brasil envolvendo 150 redes de varejistas e que será divulgada nesta quinta-feira, 19, mostra que as vendas de itens de higiene avançaram 20% na primeira semana de março em relação a última semana de fevereiro. A alta foi liderada pelo álcool gel, que sozinho teve vendas 623% superiores no período, e de máscaras, que cresceram 100%. Foi o período em que os casos de coronavírus começaram a aparecer no Brasil. 

Já na semana seguinte o que disparou foram as vendas de alimentos como arroz, feijão, açúcar e itens de limpeza, entre os quais papel higiênico e detergente, com crescimento de 31%, sendo parte provavelmente para estocar.

"Os dados mostram que o período de crise tem suas fases no comércio, começando com compras relacionadas à proteção da saúde e, depois, de itens para a preparação ao isolamento", afirma Fernanda Vilhena, gerente de atendimento de varejo da Nielsen.

A pesquisa envolvendo milhares de itens agrupados em 550 categorias mostra ainda a evolução semanal das vendas em geral. Do total das categorias pesquisadas, 13% tinham registrado melhora de vendas na semana que começa no comparativo com a semana anterior. Nesse período ainda não se falava em casos de coronavírus no País.

Na semana seguinte, quando foi anunciado o primeiro caso de contaminação, houve crescimento de 66% nas vendas de produtos das categorias pesquisadas. Na semana passada a alta foi de 88%. "Esse movimento chamou atenção pois ocorreu em cima de uma semana que já tinha crescido muito", ressalta Fernanda.

Na próxima pesquisa, quando os resultados serão comparados ao da semana atual que começou no dia 15, Fernanda acredita que o crescimento poderá ser ainda maior pois a população já está na fase de vida restrita.

A gerente da Nielsen diz que a pesquisa será feita semanalmente até que a crise arrefeça e as pessoas retornem às rotinas diárias. Ela informa ainda que o comportamento dos consumidores brasileiros é similar ao que ocorreu na China durante durante a epidemia da SARS quando comparado os anos de 2003 e 2004. Também é parecido aos dados disponíveis do que está acontecendo com o consumo na Itália, Estados Unidos e Coreia do Sul com a chegada da covid-19.

Fonte: O Estado de S.Paulo
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