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Consumidor tenta melhorar nota para conseguir empréstimo

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Consumidores vêm percebendo que só ter o nome limpo pode não ser o suficiente para conseguir crédito. Além de consultar informações nos cadastros de devedores, quem empresta também avalia o score de seus clientes, uma pontuação que vai de 0 a 1.000 e indica o risco de ele não pagar a conta —quanto menor a nota, maior o risco.

A ferramenta ficou mais conhecida após empresas que atribuem essas notas permitirem que o consumidor consultasse seu score pela internet.

A página da Boa Vista SCPC, que permite a checagem desde 2017, recebe por mês mais de 1 milhão de visitas de pessoas que querem saber sua nota.

Consumidores que descobriram que têm nota baixa estão procurando os bureaus de crédito para descobrir como elevar suas pontuações.

A assistente administrativa Carla Rocha, 23, foi até a Serasa em São Paulo levar comprovante de endereço e de renda para tentar melhorar sua nota na última quinta-feira (13).

Ela quer financiar um carro, mas não consegue porque seu score está próximo de 200. Carla emitiu boletos na internet e, depois de desistir do que iria comprar não pagou. Além disso, tem poucas contas em seu nome —fazer pagamentos em dia ajuda a aumentar a pontuação.

A empresária Ana Maria Vaz de Almeida, 57, conta que melhorou sua pontuação de 238 pontos para mais de 800 em nove meses. “Hoje tenho carro financiado, tenho cartão de crédito, tudo.”

Para conseguir isso, atualizou informações junto à Serasa e aderiu ao cadastro positivo, banco de dados com informações sobre empréstimos e contas do consumidor.

Segundo o SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), o número de consumidores que aderiram ao cadastro positivo pulou de cerca de 6 milhões, há um ano, para 11 milhões.

Mesmo com a alta, empresas do setor consideram a quantidade baixa para que o cadastro tenha impacto no mercado. As companhias apoiam uma lei que tramita no Congresso e torna a entrada no cadastro automática.

Michael Viriato, coordenador do laboratório de finanças do Insper, diz que o uso de notas de crédito por consumidores é comum nos Estados Unidos e ainda está em estado incipiente no Brasil.

“Com o tempo, os consumidores vão reconhecer o score como algo de que você cuida, porque vale dinheiro. Se seu score sobe, tem mais crédito, taxas menores e menos burocracia”, diz Rodrigo Abreu, presidente do Quod (bureau lançado neste ano com grandes bancos como acionistas).

Apesar das promessas de que essas ferramentas podem gerar mais justiça na concessão de crédito, entidades que defendem consumidores têm críticas em relação a elas.

Rafael Zanatta, líder do programa de direitos digitais do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), diz que o caso brasileiro é muito diferente do americano, onde há uma lei federal sobre como fazer a pontuação justa do consumidor, com dispositivos para garantir a não discriminação por questões sociais, raciais e de gênero.

Segundo ele, o consumidor tem o direito de obter um relatório com os elementos utilizados para formar seu score. 

Em vez disso, no Brasil recebe informações genéricas, como de que ele deve colocar a conta de luz em débito automático, afirma Zanatta.

Renata Reis, coordenadora das áreas técnicas do Procon-SP, acrescenta que, além de não ter informações adequadas, o consumidor ainda não se beneficia de juros mais baixos quando tem boa nota.

“A promessa de que o bom pagador vai ser beneficiado não vem sendo cumprida”, diz.

As empresas de proteção de crédito afirmam que é uma questão de tempo até que os consumidores entendam a importância do score.

“Tudo o que é novo gera dúvidas. Mas investimos em conteúdo para ajudar o consumidor a entender o que é levado em conta”, diz Matheus Moura, do Serasa Consumidor.

Segundo ele, empresas já estão definindo juros de acordo com a pontuação do cliente, e consumidores que usam ferramenta de comparação de empréstimos recebem propostas diferentes dos bancos. 

Pablo Nemirovsky, superintendente de serviços ao consumidor da Boa Vista SCPC, diz que existem dúvidas sobre o score por ele ser um assunto novo para a maior parte dos consumidores brasileiros. 

Segundo ele, em países em que já existe cultura do uso da ferramenta, os consumidores já sabem o que fazer para aumentar a pontuação.

Fonte: Folha de S.Paulo
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