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Burocracia consome R$ 2,5 mil por segundo de pequenas empresas

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Reunir documentos, obter licenças e alvarás, organizar a folha de pagamento dos funcionários, preencher formulários e estar em dia com registros e taxas. Essas são apenas algumas das papeladas e atribuições cotidianas de quem tem o próprio negócio.

O grande problema é que essa burocracia toda tem um custo alto e impõe um desperdício de tempo gigantesco a empreendedores dos mais variados perfis e segmentos. No caso das pequenas e médias empresas (PMEs), uma pesquisa contabilizou esses prejuízos: por segundo, a perda de produtividade no país, fruto da “cultura do carimbo”, chega a R$ 2.518, ou seja, R$ 79,5 bilhões por ano.

O estudo, realizado pela consultoria Plum a pedido da multinacional Sage, identificou ainda que, em um ano, 135 dias são gastos por esses negócios com atividades burocráticas. O tempo é superior em 15 dias a média global. Na lista dessas pendências, as atividades que tomam mais tempo são: contabilidade, com 21%, emissão de notas fiscais, com 15%, e recursos humanos, 12%.

O presidente da Sage Brasil e América Latina, Jorge Santos Carneiro, frisa que a burocracia impacta diretamente na produtividade, já que ocupa um tempo valioso das empresas.

“Sem essas tarefas administrativas que exigem tanto tempo dos profissionais, eles poderiam ter mais tempo livre para, por exemplo, colaborar com a rentabilidade e o crescimento sustentável das empresas. Já os empreendedores conseguiriam direcionar tempo para tornar o seu negócio cada vez mais competitivo e atender às necessidades de seus clientes, como desenvolvendo novos produtos”, avalia.

O executivo cita ainda que, de acordo com o Termômetro de Produtividade, ferramenta com base nos dados da pesquisa, 6,5% de todo o tempo dos funcionários dessas pequenas e médias empresas no país são empregados nesses afazeres burocráticos. “Isso representa quase quatro vezes mais que no Canadá (1,7%).”

O diretor da Idea Consultoria, João Luiz Borges de Araújo, pondera que manter a empresa regularizada é importante, mas admite que o volume de exigências legais e documentais é tão alto no Brasil que sufoca qualquer empresário. “Essa burocracia em excesso faz com que a empresa perca o foco. Precisamos evoluir na legislação, no quadro fiscal e ter processos menos engessados. Isso tudo daria mais poder de competitividade às empresas.”

Para Araújo, um caminho para melhorar o cenário atual, no que se refere ao alcance do empresário, é a realização de investimentos em tecnologia, transferindo ações que, em geral, são feitas por empregados manualmente para máquinas. “É preciso pensar no uso da tecnologia, entendendo os ganhos que ela agrega ao negócio”, sugere, aos observar que a resistência em adotar esse tipo de prática está no desconhecimento e nos custos.

Jorge Carneiro defende que é preciso haver um esforço conjunto entre governos municipais, estaduais e nacional com o objetivo de promover medidas de incentivo à inovação para as PMEs, facilitando a transição do analógico para o digital.

“Já é possível que empresas de todos os portes incorporem em suas rotinas novas tecnologias como inteligência artificial, big data e cloud computing.”

O estudo encomendado pela Sage analisa o custo das tarefas administrativas para as PMEs, incluindo requisitos operacionais e regulatórios. Mais de 3 mil empresas em 11 países participaram da pesquisa.

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