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Banco Central aumenta taxa de juros para 7,75% ao ano

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central voltou a aumentar o ritmo de subida de juros e elevou a Selic em 1,50 ponto porcentual, de 6,25% para 7,75% ao ano. Com a inflação rodando acima de 10% e em meio à aventura populista do governo que articulou o rompimento do teto de gastos, o colegiado precisou acelerar mais uma vez o passo do aperto monetário – que pode levar inclusive a uma nova recessão em 2022. O próprio BC já admite que a atividade doméstica tem mostrado “evolução ligeiramente abaixo da esperada”.

O movimento desta quarta-feira foi o sexto aumento consecutivo dos juros, após o BC cortar a taxa básica à mínima histórica (2%) em meio à pandemia de covid-19. Nas cinco reuniões anteriores, o BC havia subido a taxa em 0,75 ponto porcentual (p.p.) em três ocasiões e em 1 p.p. nos encontros de agosto e setembro.

A última vez que o Copom tinha aumentado a Selic em mais de 1 ponto porcentual foi em dezembro de 2002, quando a taxa passou de 22% para 25% na última reunião do governo Fernando Henrique Cardoso. Com a decisão de hoje, a Selic voltou ao maior patamar desde outubro de 2017. Portanto, esse já é o nível mais elevado dos juros básicos da economia no governo Bolsonaro. Quando o presidente chegou ao poder, a taxa Selic estava em 6,50%.

O Copom também já sinalizou que deve fazer um novo ajuste de 1,50 ponto na Selic na próxima reunião, em dezembro. Com isso, a taxa básica de juros encerraria o ano em 9,25% ao ano. 

No comunicado da decisão, o BC foi claro ao destacar que as mudanças nas regras fiscais que foram acordadas pelo governo com o Congresso – com o aval da equipe econômica – pesaram na deterioração das expectativas de inflação, mesmo com os principais indicadores das contas públicas apresentando melhoras nos últimos meses. O colegiado só não foi mais enfático, porque as alterações na forma de cálculo do teto de gastos para acomodar um Auxílio Brasil de R$ 400 em 2022 ainda não foram devidamente aprovadas pelo Congresso Nacional.

“Recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico”, destacou o Copom.

Na avaliação da estrategista-chefe da MAG Investimentos, Patricia Pereira, o BC foi “comedido” no comunicado sobre as mudanças propostas no teto de gastos. Para ela, não está claro se o Copom tem a opinião de que o teto ainda não foi quebrado.

“O comunicado do Copom foi seco. Chamou atenção pelo que não disse. O BC tem espaço para ser mais explícito na ata [do Copom], mas pode não ser. Pode tentar ganhar tempo, mantendo uma comunicação mais seca sobre a política fiscal”, disse Pereira, que espera Selic a 9,25% no fim do ano e “em torno” de 11% no término do ciclo de alta de juros.

Com a necessidade de abandonar o “plano de voo” anterior e dar uma resposta ao mercado que cobrava uma atuação mais firme nos juros, o BC admitiu que o novo ritmo de 1,50 p.p. é ainda mais contracionista - quando a taxa de juros reduz a atividade econômica. Enquanto diversos analistas já projetam um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) inferior a 1% em 2022, o aperto mais forte vindo do BC poderá levar até mesmo a uma nova retração da atividade.

Fonte: O Estado de S.Paulo
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